quinta-feira, 7 de julho de 2011

porque ?


Feche seus olhos e deixe fluir, sinta o cheiro que penetra invadindo sua imaginação, surpreendendo, mais voraz e insano que um emaranhado de emoções.
Você sente porquê?
Os sentimentos vêm e vão, com ou sem cheiro, sabores e sensações, onipresentes, fogem a nossa capacidade submetê-los a nossa vontade. Então que venha, que sintamos que soframos, desejemos e nos entreguemos a tudo isso sem pudor.
E quando a realidade voltar ainda vai sobrar aquele cheiro, talvez na blusa da semana passada ou somente no pensamento.
Você sente porquê?
Porque se você não sentir qual será a sua historia? Não se vive, verdadeiramente sem sentimentos.
Jade Medeiros.

domingo, 29 de maio de 2011

equalize


Na verdade, bem, na verdade eu não gosto de nada disso, nada do que eu disse que gostava a verdade mesmo é que pra mim isso é uma grande piada, e o pior é que é uma piada recontada.
Já perdeu a graça a algum tempo atrás, e mesmo assim eu não apertarei next , deixarei tocando porque dessa vez eu vou mostrar a porra da minha opinião sobre isso.
Eu não gosto da cor dos seus olhos, muito menos do jeito que você sorri, não gosto do seu andado, nem do seu cheiro, não gosto da freqüência com que você chega perto e muda toda a minha visão de mundo. A verdade mesmo é que eu odeio tudo isso, odeio chegar perto e perder o rumo, odeio ouvir sua respiração, timbre de voz, coisas malucas, Pitty, morrer de rir, equalizar, odeio mesmo!
Porque o final dessa historia é aquele final que nós já conhecemos, rimos com ironia, e decoramos para que não houvesse repetições de erros. Que estúpido , como se isso fosse realmente eficaz. A verdade é que por mais que eu queira te gravar em mim, eu não gravarei porque eu ainda não conheço uma formula que inverta isso, quando necessário.

Jade Medeiros.

domingo, 10 de abril de 2011

ele&ela



Não foi ocasional, mas também não houve premeditação. Ambos tinham muita coisa e comum, não por menos, Ele,  um lunático , Ela, uma sonhadora , compartilhavam entre si um céu de sentimentos e sentidos, entre tantos, o sabor amargo do amor , o cheiro inconveniente  da aventura , visões antológicas de um passado recente , a quente vontade de se entregar e por fim , o som da saudade badalando e ecoando em notas graves e de tom menor , que gemiam esperando o fim daquela vibração imprevisível. Havia um sentimento envolvido e mais alguma coisa que cheirava canela e sanava os piores devaneios. Tão jovens, sabiam exatamente o que quão e quando queriam. Não  gostavam de regras. Ele .. o perfeccionista e construtor , construía os sentidos enquanto ela , sabia e detalhista , os dava cor , sentido e razão...Mas a  razão? a razão simplesmente esquivou-se e deixou que o prazer queimasse e fizesse doer, dava pra sentir na carne e na alma o sabor da melhor dor que existia. Pela madrugada ele vestia o traje listrado e ia roubar o sono dela com mensagens recheadas de belas palavras, recompensando o próprio adorno.  Era quase um ritual, se veneravam... A se não fosse a distancia. Não é fácil fazer algo triste parecer belo , mas como próprio Tom Jobim já bem disse " um grande amor só grande quando é triste" ..essa não fugia ao caso, ainda mais quando certas noites vinham acompanhadas de sonhos tristes que mais pareciam pesadelos bonitos...
Ela não escolheu, ele disse que talvez fosse inapropriado, mas o destino gritava que nada seria racionalizado e que o comando não se aplicava a eles ou as suas escolhas e sim ao  inevitável. Eles não poderiam evitar algo que ia além do livre arbítrio, então simplesmente se afundaram naquilo, forçaram, desequilibraram, impulsionaram, consumiram-se, exageraram, se frustraram se desgastaram e gastaram tudo que possuíam e ainda fizeram empréstimos, depois buscaram definir tudo aquilo em um único nome, sutil e leve com um peso subliminar em cada gesto e conseqüência, o definiram então como amor. Nessa altura do jogo.. Coração mais bate do que apanha, a necessidade de se encontrarem os consomem num ritmo descompassado e assustador, eles sentem mais do que pensam e já de engate evitam mesmo pensar aquilo que os consomem, e no ringue sempre vão a knockout e quando o coração cospe sangue a platéia delira. Que o infinito perdure então.

Jade Medeiros e Osvando Goullart .

poor boy


Ele gritou quando sentiu realmente suas intenções e viu que se enganara a respeito da ingênua moça de cabelos castanhos e olhar doce o tempo inteiro. Queria ele que esse tempo fosse delimitado a apenas alguns equívocos de expressões  mas se estendia a ele todo, todo o tempo que estiveram juntos. Ela possuía sim um coração, mas que não tinha muitas outras utilidades além de bombear o sangue quente que ofegava em suas veias, verdes e grossas.
Ele grunhiu de raiva, como se isso fosse assustar a moça sem sentimentos. Ela sorria, provida de um leve sarcasmo que nunca a abandonava.
O rapaz quis segura-la  em suas mãos e usar de força para fazê-la  se explicar, era só isso que ele queria uma razão, um motivo plausível que fosse para tanta maldade. Ela o usara da pior forma e não mostrava sinais de arrependimentos.E quando ele acreditou que escutaria um pedido de desculpas,que seria a única atitude digna tomada por ela naquele momento ele se enganou mais uma vez. Apenas ficou parado com as mãos fechadas engolindo seu ódio a seco  enquanto a via se afastar com seu tão conhecido sorriso uma saia jeans e um adeus sussurrado docilmente. E sem olhar para tras ou dar explicações com ar de quem sempre dominará e realmente dominava, ela pegou a estrada mais complexa em direção a ‘’felicidade’’ que sempre pareceu acompanha – lá , e sinceramente... ela não precisava do rapaz para isso, não mesmo, não precisava do frustrado e enganado rapaz.

Jade Medeiros. 

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

girl


Ela corria de manhã porque acreditava que isso espantaria os males e a deixaria mais disposta para o restante do dia que viria. Com a blusa branca de todas as caminhadas passadas ela se dispunha  a fazer valer a pena cada gota de suor que parecia brotar de sua testa e pescoço.
Um suor vivo e salgado que excitava os rapazes de verde sentados no banco de cimento que viravam o pescoço para acompanhar seus passos e alguns mais descarados assoviavam para conseguir despertar na moça o sentimento de desejo o sentimento de ser desejada.
E ela o sentia, e ria com escárnio dos rapazes que eram sempre providos de uma inocência falsa repleta de más intenções disfarçada com doces olhares que traziam aquele velho clichê subliminar: o de levá-la para um quarto escuro mais tarde e sussurrar  alguma coisa em seu ouvido enquanto ela suaria novamente só que por um motivo distinto.
Ela gritaria e transbordaria de prazer enquanto ele se sentiria viril e capaz. Típico pensamento masculino, típico sentimento feminino. E todas as terças ela fazia daquela caminhada uma aventura excitante para os rapazes do banco de cimento, e eles? Bom eles nem supunham o que conseguiam fazer por ela naquela caminhada.
Jade Medeiros.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Again



Dava pra sentir o gosto de alma quente na garganta amargando as minhas recentes memórias. Era excitante saber que a minha alma já não se contentava mais com seu antigo receptáculo e tinha intenções de abandoná-lo pelo menos era o que parecia.Ela estava prestes a ser vomitada.  A alma amarga que parecia ser finita aos olhos humanos. Mas creio eu que ela não tinha fim, após ser vomitada, esfaqueada, dentre outras coisas ainda assim ela persistia sempre com suas sombras dentro de mim. Seus restos me mostravam que a razão era fraca e que alguma coisa que ficava bem perto do coração possuía algum sentimento mesmo que confuso e alagado de sangue.

Jade Medeiros.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Tati Bernardi


Você é tão bonito que renova a mesmice do cinismo amoroso. Por você vale qualquer sombra na alma.