sábado, 15 de setembro de 2012

just


Quão estranho foi levantar cedo e só sentir seu cheiro no travesseiro, a sua presença tão restrita e eu tão indigna de tê-la por muito tempo me fez prisioneira desse mar negro e salgado. Vozes quentes que arrepiam a alma já morta e sangrenta que me dizem que a minha vaidade grossa e crua me fez cega. Fui plagiando seu mundo só pra ficar mais parecido com o meu mais parecido comigo. Psicótica sinistra de um cinismo branco, vislumbre, de uma ingenuidade que se fora. Meus pés tocaram o chão, entorpecidos pelo toque de algo concreto, vivi tanto tempo de minha mente flácida, pueril, rouca que o mundo duro e de verdade me corta, me amassa louco e fúnebre que me faz querer gritar. Consumida pelo que consumi me fiz presa aquilo que sempre prendi.
Jade Medeiros.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

rain


Choveu, não de um jeito que sempre chovia e molhava a terra purificando o ar, foi como uma chuva a La destruição que vem acompanhada daqueles sons noturnos aterrorizantes.Fechei os olhos por alguns segundo e segurei no sofá com força porque eu sempre tive medo da chuva diferente do Raul que uma hora dentre meio as pedras acabou perdendo–o.
Ela nunca me avisara de sua chegada. Simplesmente chegava no fundo eu ansiava por tê-la tão sonora e nociva molhando a vida como se ela nunca fosse se secar o bastante novamente.
Foi assim, inesperado, numa manhã de setembro choveu. Enquanto eu esperava por sol, tempo seco e mormaço quente, ela veio ilustre e fria rasgar com delicadeza as certezas que me mantinham e que eu fazia questão de manter. O diretor aplaudiu de pé no fundinho escuro do cinema onde assistia tudo pasmo, calado, tremulo, lúdico, quão sublime seria molhar-se em meio ao destino incerto, abra as janelas ele disse, deixe a chuva entrar. Não é só de dias de verões que se vive. Se você se preparar sempre para chuva e tiver sempre uma toalha, nunca vai saber como é bom sentir a gota transparente lhe correr sobre a face.
Jade Medeiros.

domingo, 2 de setembro de 2012

behind us

Sufoca aos sábados, liberta as terças e durante as quintas só dorme tranqüilo no jardim , é preciso mais que um humor egocêntrico de efeito rebote pra alimentar aquilo que consome todas as suas energias e te deixa sem qualquer reserva. Sabe quando a gente meio que perde a dimensão do tempo e tudo passa meio que devagar e muito rápido? É quase isso as vezes. É segurar, apertar entre os dedos com força mesmo que machuque um pouco porque a dor faz parte afinal, o corpo arde por uma vontade insana de um não sei o que, não sei a onde nem quando nem porque, mas que nunca esta ao seu alcance, é só uma luz forte que se olhada diretamente deixa a gente meio tonto. É tortura involuntária, masoquista e satisfatória. Vez ou outra aquilo se acumula na garganta, e quando o tempo se dá, incha como se todo despeito do mundo estivesse ali, preso, querendo sair e ir de encontro ao corpo nu demasiadamente quente. É só um grito meio surrado e lento que tenta nos lembrar do quão se manter firme é importante porque é ai que a gente cruza os caminhos, quando o peito pede mais nem que seja um segundo, só pra renovar as esperanças de novo. Se o que importa não for realmente aquilo que se espera, pra que não dar chance ao simples acaso? Em determinados casos funciona, se não, da na telha e uma hora ou outra a gente casa e vai morar numa casa azul piscina qualquer. Tem tempo, limite e um ego solidário alimentado pela sabedoria de só quem sabe cultivar amor sem se vender. Tem tom, tem cor e rima. Tem tudo pra deslanchar e ir alem das nobres e insensatas expectativas. Mas também tem um inconformismo que sangra da cor do esmalte mais vermelho que existe e mancha o corpo por dentro e a alma por fora. É assim que a gente vai vivendo a vida sabe? Pensando no futuro quando o presente aperta de mais e lembrando-se do passado quando sente aquele vazio que nada preenche. Porque lá no fundo o que importa mesmo é ser simples e feliz de um jeito natural mesmo com todas as filosofias e tudo parecendo ser muito prolixo. Só basta um sinal de sentimento um abraço morno uma vez por mês e pronto as coisas ficam fáceis exceto quando não ficam, quando tudo parece muito pouco e muito distante dai a gente inventa, inventa mais um monte de promessas de um futuro bom que mesmo que não se cumpram esquentam por mais um tempo, talvez esse seja o segredo afinal, não deixar que esfrie nunca.
Osvando Goulart/Jade Medeiros

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Ambrosia


Vagueia ingênuo com uma carência que grita infame nas noites silenciosas, escuras, desertas com uma solidão grifada de vermelho, - patética, - ele urge.
Incerto, sem som, imune, frio, rodeado de falsas promessas mornas e alienantes. Canta o canto dos miseráveis que já nascem destinados a miséria moral. Mente pequena, alma  liquida, o amor que cabe no bolso. Seu canto esquizofrênico, inconcebível deleite impiedoso pede piedade em tom maior. Com o amor próprio escondido, tímido, careta e covarde nada lhe invade nem causa desequilíbrio.Chuva que não molha. Água que não sacia. Sede que queima na garganta, ludibria. Um pouco de coragem a esse ser doente sem alma nem vontade de sentir.Um pouco de vida solida com uma pitada de poesia carnal, romântica e indiscreta que indigna os reféns do néctar dos deuses, uma ambrosia para os humanos que já foram ha muito castigados, injustamente.
Jade Medeiros.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

like a rose


Deixe de ser patética e pare de ficar se lamuriando sobre a sua unha quebrada e seu coração partido minha querida. Rejeite esse seu ego gigante e lancinante que te engole cega e estúpida. Se abra pra vida sem esse redemoinho sentimental que roda e te faz tonta, te faz humana e desesperada por equilíbrio.
Enterre isso que morreu em você e viva daquilo que ainda dorme, acorde o seu lado selvagem que reside ainda preso e indefeso dentro de ti. E V O L U A. M O V I M E N T E -S E.
Se deixe viver sem essa frescura de quem já sofreu e tem receio, abre a porta menina! Acorda e pisa no chão sem medo. Se for pra cair que caia! Que caia com força e machuque mas machuque de verdade pra você sentir a dor de viver. Não esse sofrimento rosa de quem brinca de boneca escondido depois de ter passado da idade. Cai na real e levanta essa bola porque o mundo te espera de boca aberta e portas fechadas. E não vai ter choro nem vela que vai transformar esse seu orgulho patético em alguma coisa de valor.
Jade Medeiros.